Descrição:
O Rio de Janeiro, capital do estado homônimo, é a segunda maior metrópole do Brasil, situada no Sudeste do país. Cidade brasileira mais conhecida no exterior[4][5] e maior rota do turismo internacional no Brasil[6], funciona como um "espelho", ou "retrato" nacional, seja positiva ou negativamente.
É um dos principais centros econômicos, culturais e financeiros do país, sendo internacionalmente conhecida por diversos ícones culturais e paisagísticos, como o Pão de Açúcar, a estátua do Cristo Redentor (uma das sete maravilhas do mundo moderno), as praias dos bairros de Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca (entre outros), o Estádio do Maracanã, o Estádio Olímpico João Havelange, a floresta da Tijuca, a Quinta da Boa Vista, a ilha de Paquetá, o Réveillon de Copacabana e o Carnaval.
Representa o segundo maior PIB do país[7] (e o 30º maior do mundo[8]), estimado em cerca de R$ 119 bilhões (IBGE/2005)[3], e é sede das duas maiores empresas brasileiras – a Petrobras e a Vale, e das principais companhias de petróleo e telefonia do Brasil, além do maior conglomerado de empresas de mídia e comunicações da América Latina, as Organizações Globo.[9] Contemplado por grande número de universidades e institutos, é o segundo maior pólo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 17% da produção científica nacional – segundo dados de 2005.[10]
Foi capital do Brasil Colônia a partir de 1763, capital do Império Português na época das invasões de Napoleão, capital do Império do Brasil, e capital da República até a inauguração de Brasília, na década de 1960. É também conhecida por Cidade Maravilhosa, e aquele que nela nasce é chamado de carioca.
Descoberta
A baía de Guanabara, à margem da qual a cidade se organizou, foi descoberta pelo explorador português Gaspar de Lemos em 1º de janeiro de 1502. Embora se afirme que o nome Rio de Janeiro tenha sido escolhido em virtude de os portugueses acreditarem tratar-se a baía da foz de um rio, na verdade, à época, não havia qualquer distinção de nomenclatura entre rios, sacos e baías – motivo pelo qual foi o corpo d'água corretamente designado como rio. Os franceses estabeleceram-se na região em 1555 e foram expulsos pelos portugueses em 1567.
Relevo
A cidade ocupa a margem ocidental da baía de Guanabara e algumas de suas respectivas ilhas (como Governador e Paquetá), e desenvolveu-se sobre estreitas planícies aluviais comprimidas entre montanhas e morros. A Serra do Mar, rebordo do planalto Atlântico, ergue-se a noroeste, distando cerca de 40 quilômetros do litoral, e divisa a metrópole do interior.
O Rio de Janeiro está assentado sobre três grandes maciços: o da Pedra Branca, que atravessa a cidade no sentido leste-oeste (onde se encontra o ponto culminante do município, o pico da Pedra Branca, de 1.024 metros[14]); o de Gericinó, ao norte (com o pico do Guandu, de 900 metros); e o da Tijuca ou da Carioca, sobre o qual irrompem morros e picos, alguns cobertos por exuberante vegetação, de grande interesse turístico: o pico da Tijuca (1.022 m)[15], o Bico do Papagaio (975 m), o Andaraí (900 m), a Pedra da Gávea (842 m)[13], o Corcovado (704 m), o Dois Irmãos (533 m) e o Pão de Açúcar (395 m), que se encontra à entrada da baía.
Seu litoral tem 197 quilômetros de extensão, inclui mais de 100 ilhas que ocupam 37 km², e desdobra-se em três partes, voltadas à baía de Sepetiba, ao oceano Atlântico e à baía de Guanabara. O litoral da baía de Sepetiba tem como único acidente geográfico de expressão a Restinga da Marambaia, e é arenoso, baixo e pouco recortado. O litoral da baía de Guanabara é recortado, baixo, abarca muitas ilhas (como a do Governador, de 29 km², local do Aeroporto Internacional do Galeão) e, em suas margens, situam-se o centro comercial e os subúrbios industriais. O litoral Atlântico expressa alternâncias consideráveis, apresentando-se ora alto, quando em contato com as ramificações costeiras dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, ora baixo, trecho pelo qual se estendem as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, todas integradas à paisagem urbana.
Diversas lagoas, como as da Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas formaram-se nas baixadas, muitas de terreno pantanoso a ainda não completamente drenado.
Clima
O clima é classificado como tropical atlântico (Aw), segundo o modelo de Köppen, e a média anual das temperaturas é de 23,1ºC.[16]
Por se tratar de uma cidade litorânea, o efeito da maritimidade é bastante perceptível, traduzindo-se em amplitudes térmicas relativamente baixas. A média anual das temperaturas médias máximas mensais é 26,1ºC, e das médias mínimas mensais, 20ºC.[17] Já as médias anuais das temperaturas máximas e mínimas absolutas aferidas em cada mês ficam, respectivamente, em 36,2ºC e 13,8ºC.[17] Julho é o mês mais frio, com médias máxima e mínima de 24ºC e 17ºC, e janeiro, o mais quente (29ºC e 23ºC).[17]
Os verões são marcados por dias quentes e úmidos, eventualmente suplantando a barreira dos 40ºC em pontos isolados, enquanto os invernos apresentam-se amenos e com regime de chuvas mais restrito, com mínimas raramente inferiores a 10ºC. De modo geral, o ano pode ser dividido em duas estações: uma, relativamente quente e chuvosa, e outra, de temperaturas amenas; desta forma, primavera e outono agregam-se às características das demais, tratando-se mais de intervalos de transição do que estações propriamente definidas. Até hoje, o recorde oficial de menor temperatura já registrada deu-se no Campo dos Afonsos (4,8ºC), em julho de 1928, e o de maior, em Bangu (43,2ºC), em janeiro de 1984.[17]
Devido à altíssima concentração de edifícios nas regiões urbanas centrais, mais afastadas do litoral, é comum o surgimento de ilhas de calor, com termômetros superando a marca dos 40ºC nos meses mais quentes do ano. Nessas áreas e em outras, é possível verificar disparidades de alguns graus centígrados com relação às zonas costeiras, em razão das brisas marítimas.
O volume pluviométrico acumulado anual é de 1.086 mm.[17] As chuvas concentram-se nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março, tornando-se mais esparsas no período de junho a agosto.[17] Abril e novembro apresentam números razoáveis, ainda que menores que os dos meses de maior pluviosidade. Em cerca de um terço dos dias (128), chove.[17] Os meses de outubro, novembro e janeiro têm, em média, 13 dias nos quais se verifica a ocorrência de precipitações; dezembro, 14; fevereiro e setembro, 11; e junho, julho e agosto, 7.[17] Todavia, o maior volume é observado em dezembro (137 mm), janeiro (125 mm), fevereiro (122 mm) e março (130 mm).[17] Temporais não são incomuns no verão, os quais invariavelmente ocasionam vítimas, fatais ou não, sendo o motivo maior os deslizamentos nas encostas da cidade.
A umidade relativa do ar denota índices aceitáveis durante todo o ano. A média no período que antecede o meio-dia fica em 84,6% e, após às doze horas, 70,8%.[17] Junho, julho e agosto apresentam os menores percentuais no período vespertino: 69, 68 e 66%, respectivamente.
Parques e espaços públicos
A cidade conta com importantes parques e reservas ecológicas, como o Parque Nacional da Tijuca, o Parque Estadual da Pedra Branca, o Complexo da Quinta da Boa Vista e o Jardim Botânico (o mais antigo do Brasil[18]), entre outros.
Principais parques
De propriedade da União, o Parque Nacional da Tijuca é um monumento público natural destinado à preservação de espécies faunísticas e florísticas. Inicialmente com o nome de Parque Nacional do Rio de Janeiro, foi criado pelo Governo Federal em 6 de julho de 1961, numa área que hoje corresponde a 3.972 hectares.[19] Abriga uma biota de grande riqueza em quase toda sua extensão, abrangendo as regiões mais elevadas e pitorescas da cidade – inclusive a floresta da Tijuca, replantada artificialmente no século XIX a mando de D. Pedro II. Entre os pontos turísticos do Parque, grutas, trilhas e cachoeiras, encontram-se marcos famosos da cidade, como a Pedra da Gávea, o Corcovado e o pico da Tijuca (ponto culminante da reserva, elevando-se 1.022 metros acima do nível do mar).[15] De relevo montanhoso, inclui áreas do maciço da Tijuca. Foi considerado Patrimônio Ambiental e Reserva da Biosfera pela UNESCO, em 1991.
O Jardim Botânico foi fundado em 13 de junho de 1808 pelo então Príncipe-Regente de Portugal, D. João. A empreitada tinha por objetivo aclimatar o terreno da antiga fábrica de pólvora (anteriormente ocupado pelo Engenho Rodrigo de Freitas) ao cultivo de gêneros produtores de especiarias das Índias Orientais. Atualmente, desenvolve trabalhos teóricos e empíricos em diversos setores da Botânica, além de catalogar e estudar a vegetação brasileira e suas relações com o meio, e o comportamento de espécies exóticas ou indígenas. Em área aberta à visitação pública, a instituição mantém coleções de plantas vivas destinadas a pesquisa, que englobam mais de 6.500 espécies, algumas em estufas (ou ameaçadas de extinção). O Jardim compreende ainda fragmentos inteiramente preservados de Mata Atlântica, monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico, e um importante centro de pesquisa, que inclui a mais completa biblioteca do país especializada em Botânica, com mais de 32 mil volumes (maior banco de dados do mundo sobre a Mata Atlântica).[20] Em 1991, foi considerado pela UNESCO uma Reserva da Biosfera, e rebatizado como "Instituto de Pesquisas Jardim Botânico" em 1998. Finalmente, em 2002, tornou-se uma autarquia.
Destaca-se ainda o Complexo da Quinta da Boa Vista, parque público de grande valor histórico e cultural, no bairro de São Cristóvão. Suas dependências abrigam o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro e o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instalado no antigo "Paço de São Cristóvão", um magnífico palácio em estilo neoclássico, utilizado como residência da família imperial brasileira no século XIX. Atualmente, o Museu encontra-se sob administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é um dos mais importantes do gênero na América Latina, tanto pela quantidade, quanto pela qualidade de suas coleções. O Paço abriga a exposição de um dos maiores acervos das Américas de animais empalhados, minerais, coleções de insetos, utensílios indígenas, múmias egípcias e sul-americanas, meteoritos, fósseis e achados arqueológicos. O edifício, que obedece às linhas do Rococó Barroco, é composto de três partes: a Casa do Trem (posteriormente renomeada Casa da Ordem), construída em 1762; o corpo do verdadeiro Arsenal de Guerra, datado de 1822; e o Anexo, de 1835. No Arsenal de Guerra, desde o final do século XVIII até os primeiros tempos da República, armas, munições e demais petrechos bélicos foram ali produzidos, com ênfase para a primeira fabricação de bronze no Brasil – trabalho de Mestre Valentim.
O Jardim Zoológico do Rio foi o primeiro zoológico nacional, inaugurado em 1888 por João Batista Viana Drummond (o Barão de Drummond) no bairro de Vila Isabel, em um terreno com riachos, lagos artificiais e uma extensa coleção de animais.[21] No entanto, em virtude das iminentes dificuldades financeiras, seus portões foram fechados em 1940. Em 18 de março de 1945, foi reinaugurado no Parque da Quinta da Boa Vista, onde se encontra até hoje. O zoológico carioca ocupa lugar de destaque na memória histórica do país. Certamente, uma das imagens mais marcantes é o imponente portão construído em sua entrada (oferecido como presente de casamento a D. Pedro I e à futura Imperatriz Leopoldina, por um nobre inglês), o qual pode ser visto na paisagem de algumas telas pintadas durante o Período Imperial. Em 1985, foi convertido na Fundação RIOZOO, mudança que propiciou certa agilidade administrativa e encetou um vigoroso processo de modernização, transformando-o em uma respeitada instituição de pesquisa e educação ambiental, reconhecida no Brasil e no exterior.
Localizado na zona Oeste, o Parque Estadual da Pedra Branca abriga o ponto culminante do Rio de Janeiro: o pico da Pedra Branca, de 1.024 metros.[14] Constitui o maior parque ecológico da cidade e a maior floresta urbana do mundo[22][23], com uma área total de 12.500 hectares[22] – cerca de 10% do território municipal. É encoberto por vegetação típica da Mata Atlântica (cedros, jacarandás, jequitibás e ipês), a qual serve de abrigo a uma generosa fauna composta por jaguatiricas, preguiças-de-coleira, tamanduás-mirins, pacas, tatus e cotias. Além do variado patrimônio natural, dispõe de algumas construções de interesse cultural e turístico, como um antigo aqueduto, represas, ruínas de sedes de antigas fazendas, e o pórtico e a subsede do Pau da Fome, em Jacarepaguá – principal via acesso à região, com projeto de autoria de José Zanine Caldas. Nas cercanias do Parque, encontra-se o Museu Nise da Silveira, na Colônia Juliano Moreira.
Em pleno centro da cidade, o Passeio Público é um parque ajardinado, projetado e parcialmente executado por Valentim da Fonseca e Silva. Foi o primeiro parque público das Américas, construído no século XVIII. Com inspiração no Passeio Público de Lisboa, e seguindo o estilo francês, surgiram as alamedas retas, que se cruzavam ortogonalmente, e outras formando diagonais, ostentando elementos decorativos também criados pelo artista, como chafarizes, estátuas e pavilhões. Em 1864, a pedido do Imperador D. Pedro II, teve o traçado dos jardins alterado pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou no sentido romântico, com aléias curvas e sinuosas, lagos e pontes. Após sucessivas intervenções ao longo do século passado, em 2004 passou por uma ampla reforma para devolver o traçado original de Glaziou. Da decoração original de Mestre Valentim restaram o conjunto do Chafariz do Menino, em ferro (1783), e a Fonte dos Amores, com estátuas de jacarés em bronze. Inclui-se entre os monumentos brasileiros tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Outros parques
Também podem ser elencados:
* Parque do Flamengo: oficialmente "Parque Brigadeiro Eduardo Gomes", mas popularmente conhecido por Aterro do Flamengo (ou apenas "O Aterro"), é um complexo de lazer construído sobre aterros sucessivos ao longo da baía de Guanabara.[24] Inaugurado em 1965, ocupa 1,2 milhão de metros quadrados[24], estendendo-se do Aeroporto Santos-Dumont, no centro, até o início da praia de Botafogo, na zona Sul, com a maior parte de seu território ao longo da praia do Flamengo. Entre os elementos do complexo destacam-se o Museu de Arte Moderna, o Monumento aos Pracinhas, a Marina da Glória, o Monumento a Estácio de Sá, áreas para a prática de esportes e uma faixa de areia na praia do Flamengo.
# Parque Henrique Lage: situado no sopé do morro do Corcovado, pertenceu ao industrial Henrique Lage. Ao redor do palácio, espraia-se um agradável jardim romântico de onde se avistam o Corcovado e o Cristo Redentor. A Escola de Artes Visuais do Parque Lage funciona nas dependências palacianas.
# Parque Eduardo Guinle: localizado no bairro de Laranjeiras, conta com uma extensa área verde em aclive, onde se encontra a residência oficial do governador (Palácio Laranjeiras) – antiga mansão dos Guinle. O projeto original, da década de 1920, contemplava apenas os jardins e o palacete de Eduardo Guinle, concebidos pelo paisagista francês Gérard Cochet.[25] As dependências do parque também comportam o primeiro conjunto de edifícios residenciais voltados à elite carioca (projeto de Lucio Costa), jardins com a assinatura de Burle Marx, playgrounds, passeios, córregos e um lago artificial.[25]
# Campo de Santana, hoje Praça da República: logradouro situado no centro da cidade e marco da primeira estação ferroviária urbana do Brasil, a D. Pedro II, que em 1941 foi demolida e reinaugurada como Central do Brasil – um edifício de estilo art-déco encimado por um enorme relógio de quatro faces, segundo maior do mundo na categoria.[26]
# Parque Estadual do Grajaú: com 55 hectares remanescentes da Mata Atlântica e diversas espécies da fauna nativa, é reduto de praticantes de alpinismo, habituados a escalar os 444 metros da Pedra do Andaraí.
# Parque Estadual da Chacrinha: dispõe de 13,3 hectares de mata envolta pelos prédios residenciais de Copacabana, e trilhas que dão acesso ao morro de São João, sendo de fundamental importância para a amenização do clima local.
# Parque Municipal do Mendanha: importante reserva de Mata Atlântica no bairro de Campo Grande, zona Oeste, rica em madeira de lei e arbustos de valor medicinal, além de variada fauna.
# Reserva Ecológica de Grumari: área de preservação na zona Oeste.
# Parque Ecológico Chico Mendes: inaugurado em 1989, no Recreio dos Bandeirantes, oferece visitas guiadas a viveiros de animais em extinção e trilhas para caminhadas, podendo-se avistar alagados e restingas quase intactos. Foi assim batizado em homenagem ao líder seringueiro assassinado no Acre, no ano anterior.[27] É administrado pela Fundação RIOZOO.[27]
# Bosque da Barra: com 50 hectares, é uma das áreas verdes mais visitadas da zona Oeste. Possui alamedas, trechos arborizados, quadras de esportes e um grande lago.
# Reserva de Marapendi: situa-se na Baixada do Jacarepaguá, de onde se pode ver de perto a lagoa de Marapendi, emoldurada por vegetação de restinga.
# Parque da Cidade: com 470 mil metros quadrados de área verde, é considerado o "pulmão" do bairro da Gávea. Abriga o Museu Histórico da Cidade.
Problemas Atuais
O Rio de Janeiro é uma cidade de fortes contrastes econômicos e sociais, apresentando grandes disparidades entre ricos e pobres. Enquanto muitos bairros ostentam um Índice de Desenvolvimento Humano correspondente ao de países nórdicos (Gávea: 0.970; Leblon: 0.967; Jardim Guanabara: 0.963; Ipanema: 0.962; Barra da Tijuca: 0.959), em outros, observam-se níveis bem inferiores à média municipal, como é o caso do Complexo do Alemão (0.711) ou da Rocinha (0.732).[96]
Embora classificada como uma das principais metrópoles do mundo, uma porção significativa dos 6,1 milhões de habitantes da cidade vive em condições de pobreza. A maioria de seus numerosos subúrbios é composta por favelas, aglomerados urbanos normalmente construídos sobre morros, onde as condições de moradia, saúde, educação e segurança são extremamente precárias.
Um aspecto original das favelas do Rio é a proximidade aos distritos mais valorizados da cidade, simbolizando a forte desigualdade social, característica do Brasil. Alguns bairros de luxo, como São Conrado, onde se localiza a favela da Rocinha, encontram-se "espremidos" entre a praia e os morros. Nas favelas, ensino público e sistema de saúde deficitários ou inexistentes, aliados à saturação do sistema prisional, contribuem com a intensificação da injustiça social e da pobreza.
Violência
Desde meados dos anos 1990, em decorrência da violência urbana, o Rio vem conquistando espaço na imprensa nacional e (nos últimos anos) internacional. A cidade apresenta índices elevados de criminalidade, em especial, o homicídio.[97] Até o ano de 2007, na região metropolitana contabilizavam-se quase 80 mortos por semana – a maioria vítimas de assaltos, balas perdidas e do narcotráfico.[98][99] Entre 1978 e 2000, 49.900 pessoas foram mortas no Rio, mais do que em toda a Colômbia no mesmo período.[100]
A polícia do Rio de Janeiro também é demasiadamente violenta; em 2006 executou 1.063 pessoas no estado, sendo 1.195 apenas em 2003. Até abril de 2007, a média era de 3,7 por dia. A título de comparação, a polícia dos EUA matou apenas 347 pessoas em todo o território estadunidense ao longo de 2006.[102][103] Os policiais recebem em média R$ 874 por mês, ou o equivalente R$ 10.488 em um ano.[104] Baixos salários e equipamentos insuficientes fazem com que a polícia carioca consiga resolver apenas 3% de todos os assassinatos ocorridos na cidade.[105]
Entretanto, pesquisas recentes demonstram que a violência vem caindo na cidade, sobretudo nos últimos anos. O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008, estudo realizado conjuntamente pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA) e pelo Instituto Sangari, com o aval dos Ministérios da Saúde e da Justiça, divulgado em janeiro deste ano, revela que no Rio de Janeiro a taxa geral de homicídios por 100 mil habitantes retrocedeu 40% entre 2002 e 2006, levando-o da 4ª para a 14ª posição no ranking das capitais mais violentas do país.[106] Em 2002, a capital fluminense registrava 62,8 casos de homicídio para cada 100 mil pessoas. Em 2006, após quedas anuais sucessivas, esta taxa chegou a 37,7 – abaixo da aferida para cidades menores como Recife (90,9), Vitória (88,6), Curitiba (49,3), Belo Horizonte (49,2), Salvador (41,8) e Florianópolis (40,7).[106] No entanto, apesar da salutar redução dos índices de criminalidade, o Rio ainda ocupa o segundo lugar com relação ao total de homicídios ocorridos em 2006, atrás apenas de São Paulo.[106] Um relatório anterior, divulgado em outubro de 2007, também com a chancela dos Ministérios da Saúde e da Justiça[107], apontava uma redução inferior (17,5%) nos índices de homicídio entre 2003 e 2006, período no qual a capital respectivamente teria oscilado da 3ª a 5ª colocação entre as mais violentas do Brasil.
Segundo o "Mapa da Violência de 2008", a taxa de óbitos por armas de fogo também apresentou retração considerável (da ordem de 30%) no período analisado.[106] Em 2002, foram computadas 52,7 mortes para cada grupo de 100 mil, ao passo que em 2006, o número caiu para 37,1.[106] Em decorrência, o Rio deixou de ostentar a terceira colocação na lista das capitais com maior número de mortes desta categoria, caindo para o 8º lugar.
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